Viver nem é possível, pedalar é preciso!

Postado na Comunidade “Bicicletada Recife”, no Orkut. em 9 de maio de 2009

O planeta pede

O planeta pede

Tudo bem que talvez esta seja uma péssima e má feita, mas sobretudo é uma livre e densa, adaptação do grande Pessoa. É uma provocação… porque temos sido submetid@s a uma sociedade autoritária, burocrática, auto-destrutiva, perversa na dominação e em suas formas cada vez mais sofisticadas de sustentação… Isto dá muita história… Mas o que isto teria a ver com andar de bicicleta, pedalar ser preciso? E o viver, por que talvez nem fosse possível?

Esta sociedade na qual tentamos sobreviver, resistindo ou tentando adaptação a todo custo, é denominada de muitos modos, entre eles, sociedade de consumo ou sociedade do automóvel – e não é por acaso, inclusive, que consumo e automóvel representam este mesmo momento histórico nestas invenções que temos feito. O que existe é cultura, invenção humana – sejam as coisas ou como chamamos estas coisas.

O automóvel surge (ou é apropriado) no velho espírito de que tempo é dinheiro. E na lógica do lucro a todo custo, não se pode “perder” tempo porque necessariamente é perda de lucro; perda de tempo; perda de vida. Grosso modo, consciente ou inconscientemente, este é o espírito no qual entram @s motoristas. Não é algo absoluto, cada qual com suas especificidades; mas é fundante e recorrente – com suas diferenças, carro e autoritarismo/violência estão intrinsecamente ligados. As mulheres, por exemplo, ao que dizem os dados (conservadores, talvez), demonstram maior cuidado no uso do carro e se envolvem menos em violências e diversas situações de opressão com uso de veículos motorizados, o que costumam chama-se acidente. Mas o que é um “acidente” de trânsito?

A expressão “acidente” dá idéia de situação eventual, mas problemas no trânsito com veículos motorizados não é raridade – querem fazer supor que é exceção, mas é praticamente regra. A morte (objetiva ou subjetiva) está diretamente associada a este universo de sobreposição do mais forte sob “o mais fraco” do qual faz parte o “carro”. Morrem os corpos das pessoas, morrem suas coragens, o prazer (e a possibilidade) de circular no espaço público, a natureza é lentamente morta de várias maneiras… A lista é bem longa. Por isso que fala-se que não é sustentável este modo de produção da existência – aqui está seu caráter auto-destrutivo. Mesmo assim, o território é organizado para o “carro”, bem como a prioridade prática (porque na teoria e legislação vende-se a ilusão de que as pessoas é que vêm em primeiro lugar… mas onde isto acontece?). E as indústrias, quanto têm lucrado e  quanto mais produzem?

Os meios de comunicação e demais aparelhos formativos das pessoas pouco falam sobre isso, e se falam demonstram outras histórias, contam outras versões sobre isto tudo. A mídia por exemplo também reproduz esta relação e geralmente é propriedade privada de uma minoria, faz parte dos mesmos grupos que se beneficiam privada e irresponsavelmente com a produção desenfreada e destruição do que (ainda!) “temos” para sobreviver. Por onde estamos sendo informad@s? É bom pra quem certas verdades veiculadas para nos acomodar em nossos lugares de medo e submissão?

Então, é preciso de um contra-processo, enfrentamentos a esta realidade de manipulação e destruição da vida, que já tem sido impedida de ser. Uma expressão de enfrentamento é o ciclo-ativismo. Pessoas sensibilizadas e dispostas a usar bicicletada como meio de transporte (não apenas lazer!) confrontam a onda e propõem outras, se organizam pra construção de outras. Ação direta! Ocupação do espaço público pelo público… desprivatizar é preciso!

Como você consegue ver esta realidade? Como não constituir-se ciclo-ativista ou ser solidári@? Qual dúvida? Viver talvez nem seja possível, neste rumo… portanto, pedalar é mais que preciso!

Recife, maio de 2009 – por um ser humano minimamente pre-ocupado com a vida e a liberdade.

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